Indicação de filme: Diamante de sangue

1 fev

“Diamante de sangue” é a expressão que qualifica as gemas extraídas de países em crise às custas de vidas humanas para se tornarem objeto de um complexo esquema de contrabando.

O filme estrelado por Leonardo Dicaprio, e assim intitulado, conta a história da guerra civil (1991 – 2002) em Serra Leoa, um país do oeste africano. Os conflitos se dão entre o governo e a força unida revolucionária (FUR), que lutam entre si pelo controle da produção de diamantes do país, trazendo às telas toda a carnificina e miséria que assolaram a África por todos estes anos.

Como toda produção “hollywoodiana”, o enredo é entremeado por romance, muita ação, e até mesmo um certo quê de sarcasmo, mas trata também, com uma visão humanista e crítica, da exploração do trabalho escravo, do recrutamento de crianças pelas milícias, de chacinas que destruíram aldeias inteiras, enfim, do sangue derramado pela extração do diamante.

A trama não se aprofunda em questões políticas e, sim, nos motivos econômicos que deram origem aos conflitos armados a ponto de financiar a guerra naquele país, quais sejam, a apropriação das riquezas naturais africanas por filhos do capitalismo, cuja premissa é o lucro, com o conseqüente monopólio do mercado de jóias.

Diamantes de conflito são um excelente negócio dada à ignorância dos “escravos” que os extraem, que não conseguem sequer imaginar o seu alto valor ou, até mesmo, a sua utilização e, por isso, cumprem resignados a triste e árdua tarefa de entregá-los a troco única e exclusivamente de permanecerem vivos.

Em contrapartida, seus “fornecedores” deixam de lado seus escrúpulos em troca de vultuosos lucros; e toda a sujeira, crimes e mortes são “limpos” com a “legalização ilegal” dos diamantes, que chegam às mãos dos consumidores sem as manchas de sangue que outrora lhes condenava, indo brilhar nas mais finas lojas dos países de primeiro mundo.

É verdade que tamanho brilho se ofuscaria, e a sedução por eles exercida tornar-se-ia motivo de angústia, se soubessem os consumidores a procedência daquelas pedras. Também é verdade que poucos deles a questionam.

Talvez, por isto, o diretor do filme o tenha encerrado de maneira a deixar em voga um alerta:

“cabe ao consumidor exigir do vendedor que o diamante não seja de sangue”.

E a indústria do cinema, que antes cultuava todo o glamour e o luxo dos diamantes, corroborando a idéia de que representavam amor, riqueza, beleza e poder, sofre agora uma inversão de valores na tentativa de educar todos os expectadores sobre a importância das questões ligadas ao diamante.

No decorrer da trama há pontos controversos, como a “cumplicidade” que porventura possa existir entre aqueles que colocam os diamantes no mercado e aqueles que os adquire. Para Danny Archer (Leonardo Dicaprio), cada vez que uma mulher deseja e aceita uma aliança de diamantes de noivado, ela endossa a forma de obtenção daquelas pedras.

Como incontroversa tem-se a necessidade de vigilância pelo consumidor, parte vulnerável nas relações de consumo, que se submete ao poder de controle dos detentores de produtos que lhe são colocados no mercado. Neste sentido, o filme destaca, dentre outros, o controle dos estoques de diamantes para manutenção de seus altos preços. Diamantes não são raros, mas, se escassos na esfera da oferta, mantém-se sempre como objeto de desejo.

E pela evidente fragilidade do consumidor é que entidades públicas e privadas de todo o mundo se concentram em sua proteção e defesa.

No esforço de evitar guerras patrocinadas com a comercialização ilegal de diamantes, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 56/263 de 13 de março de 2002, que consiste na criação de um sistema internacional de certificação da origem das pedras, através do Processo de Kimberley. Por meio dele, espera-se impedir a remessa de diamantes brutos extraídos de áreas não legalizadas, como as áreas de conflito, para fora do país produtor, como também bloquear a entrada de tais remessas em outros países sem o devido certificado do processo de Kimberley. São proibidas, portanto, as atividades de importação e exportação de diamantes originários de países não participantes do PK (Processo de kimberley).

A certificação impulsionou a exportação de diamantes em Serra Leoa, passando de 10 milhões de dólares em 2000 para 141 milhões de dólares em 2006. O governo fica com 3 por cento da receita de tais exportações.

As empresas de comércio de diamantes do mundo também estão atentas e deram início a uma campanha multimilionária no sentido de compensar o mercado legítimo das pedras em bruto, que já se encontra desacreditado.

Uma das providências foi criar um site com todo e qualquer tipo de informação sobre diamantes: http://www.diamondfacts.org.

Todas as iniciativas direcionadas ao extermínio dos conflitos, do trabalho escravo e da comercialização ilegal tendo em vista o crescimento econômico e a prosperidade nos países explorados são de grande valia. Mas é a conscientização mundial, a força do povo, que impulsiona o mundo a se tornar melhor. E este é o propósito do filme.

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