O Poker e o Advogado – Call ou Fold: A importância do Pensamento Estratégico

19 maio

Por Daniel Sibille, especialmente para o SolteaGravata.com. 

Com ampla cobertura da mídia esportiva televisiva e a realização de eventos grandiosos no Brasil e na América Latina, aquela ideia de que o jogador de Poker seria um viciado em jogos, que vivia em ambientes enfumaçados e perdia casas e fazendas finalmente vai se desmitificando.

Seria hipocrisia dizer que o “ambiente viciado” a que me refiro acima nunca existiu, mas fato é que tal ambiente não combina com a imagem atual do Poker. Hoje em dia, a imagem do jogador de Poker que aparece frequentemente nos canais ESPN, FX e outros é de uma pessoa arrojada e preparada para vencer, ou seja, com a com a saúde física e mental em dia.

Outro ponto que auxiliou a mudança de imagem do jogador de Poker é o reconhecimento pela IMSA (International Mind Sports Association), de ser o Poker um jogo de habilidade estratégica. Para 2012, inclusive, o Poker deverá fazer parte do “World Mind Sports Games”, a olimpíada dos jogos da mente, que acontecerá paralelamente aos jogos olímpicos de Londres.

Ok, mas vocês devem estar se perguntando, o que o Poker tem a ver com o Direito?

A resposta é fácil: MUITO! Senão vejamos:

A arte da advocacia, assim como do Poker, é ter uma boa percepção sobre a situação que se apresenta, reconhecer os eventuais pontos fracos existentes, planejar e avaliar os riscos da ação que se pretende tomar e executar as medidas necessárias da forma mais efetiva e com o mínimo risco.  Em outras palavras, quando um cliente nos reporta uma situação em sua empresa, o que devemos fazer é colher o máximo de informações existentes (documentos e demais provas), planejar as ações eficazes para aquela demanda (elaborar operações e contratos necessários) e executá-las, de forma mais efetiva e com o mínimo de custos e conseqüências negativas ao cliente.

Outro aspecto de confluência entre o Poker e a advocacia é que em ambas as práticas você não joga apenas com as cartas que tem na mão, mas sim com a leitura daqueles que estão na mesa e de seus movimentos (ações). Da mesma forma, um juiz de direito também o faz quando tira os elementos subjetivos para fazer um julgamento, ouvir um depoimento e definir uma sentença. Por mais que ele sempre tenha a Lei na mão, em algumas situações a melhor estratégia é usar a sensibilidade para definir qual a melhor saída para aquele caso concreto. Do mesmo modo um Promotor de Justiça, que em meio a júri popular tenta descobrir se o réu está mentindo ou caindo em contradição, fazendo a leitura de seus gestões ações, palavras, entonação de voz. Um bom jogador de Poker, assim como um bom advogado, é atento aos mínimos detalhes, esses que são capazes que reverter uma situação judicial complicada.

Como se pode ver, qualquer que seja a linha de atuação do advogado, é necessário que se tenha um pensamento estratégico análogo ao Poker, seja para elaborar um plano de ataque contra a linha de defesa do réu em uma audiência ou para estruturar um planejamento tributário ou M&A de interesse do cliente.

Como não poderia deixar de ser, o maior jogador de Poker brasileiro, com títulos mundiais na WSOP -World Series of Poker e WPT – World Poker Tour é um advogado curitibano chamado Alexandre Gomes.

Gomes, após três anos atuando como advogado, decidiu fazer do Poker, até aquele momento apenas um “hobby lucrativo”, sua principal atividade e deixou a advocacia, mas não deixou de reconhecer o impacto do Poker na sua vida profissional, enquanto ainda atuava como advogado.

 

Fiquei mais atento aos detalhes, aprendi a identificar os pontos fracos dos meus adversários e a extrair o máximo de valor em cima disso. E, claro, a representar quando estou blefando. Coisas que todo bom advogado precisa saber.

E não vamos só puxar o saco dos advogados, existem diversos outros grandes jogadores que são reconhecidos por suas profissões. O americano Chris Fergunson é PhD em ciências da computação. A também americana, Annie Duke é formada em língua inglesa e psicologia. Vanessa Rousso, franco-americana, é bacharel em economia e fez especialização em ciências políticas e por aí vai…

O currículo de grande parte dos jogadores profissionais, como os aqui mencionados, deixa claro que o Poker está longe de ser um mero jogo de cartas onde as coisas se resolvem na sorte – especialmente na modalidade Texas Hold´em, a preferida por 9 entre cada 10 adeptos.

Assim, você que aprecia o jogo e ainda por cima é advogado, promotor, juiz, etc., tente encontrar no Poker uma forma de desenvolver as suas habilidades pessoais e profissionais. Ao se deparar com alguma dificuldade no trabalho, tente observar a situação que está ao seu redor, colher o maior número de informações possíveis da própria situação e dos outros jogadores, ou melhor, do seu cliente, e planeje uma ação estratégica, de forma a atingir o seu objetivo, fazendo com que o seu oponente, ou melhor, a parte contrária, jogue fora (fold) as suas cartas (argumentos) ou dê um call (pague) na sua aposta.

 

Daniel Sibille

Advogado formado pelo Mackenzie, pós-graduado em Empresarial pela GV e Direito Civil pelo Mackenzie.

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