Há saída e haverá tempo

15 nov

Vive-se hoje como hamsters presos a roda dentro da redoma, correndo e girando interminavelmente em movimentos sobre o próprio eixo que não leva a lugar algum.

A democracia propalada e decantada é exercida  sob a lei e a técnica dominante que são a lei do mais forte e a técnica do dinheiro e do consumo desenfreado, do trabalho alienado e alienante, exclusivamente para o consumo descartável, democracia cuja prioridade e foco estão na globalização, na exploração progressiva e na destruição do solo, dos mares, das florestas, da vida natural e da primeira natureza do homem.

A democracia dos que dominam há pelo menos duzentos anos e que prima por tornar invisivel, quando não marginal em todos os sentidos da palavra, os que não se sujeitam a suas leis, técnicas, regras e ditames.

A realidade cotidiana é cinza e nos mostra que o caminho e o caminhar estão mal e que a demanda desenfreada pela aceleração do crescimento economico só contribui para agudizar a crise existencial humana.

O sistema político-partidário está esgotado. Não tem credibilidade (como o provam os elevados níveis de votos nulos e abstenção) nem o poder dinamizador ou polarizador que devia ter para ser capaz de alavancar o cidadão de seu marasmo, descredito e desconfiança.

A democracia representativa deixou de funcionar. A democracia participativa está enterrada há decadas. Atravessamos uma profunda crise política.  Há muito que as eleições deixaram de ser escolhas. Os partidos não mais são vistos como alternativa politica de participação, deliberação popular, representatividade e colaboração, ou de amparo a necessidades coletivas e dos ideais da sociedade, muito menos como uma força contributiva ao bem estar social, pois visam apenas e tão somente ocuparem o poder ou o governo, um ou outro separadamente, para garantirem a continuidade dos negócios de um capitalismo que cresceu à custa do consumidor/comprador de mercadorias – o contribuinte, este sendo hoje o único considerado como cidadão, porquanto quem não consome-contribui – quem não tem poder de adquirir mercadorias/produtos superfluos descartáveise – não é nada mais que um marginal quando muito um invisivel anonimo relegado ao esquecimento.

Alguns partidos que se autoproclamam de esquerda ou socialista ou democrata, ou trabalhista, apenas entoam o canto estéril de um protestantismo inconsequente, frágil e delimitado pelo capital.

Assegura-se assim que  os grandes lucros são dos acionistas, os enormes prejuízos são amavelmente distribuídos por todos, cidadãos ou não, com prioridade especial entre os anonimos invisiveis e marginais.

Há saída? Haverá tempo para encontrar a saída? Conseguiremos nos desenfeitizar, desenfetichizar, desencantar antes que a tragédia anunciada aconteça? Haverá possibilidade da indução de métodos de democracia deliberativa, participativa ou direta, com a infusão de novos atores na cena política, onde se construa a recuperação para uma vida cidadã ativa e plena da esmagadora maioria amorfa de pessoas postadas no segundo plano nas cidades? Haverá possibilidade factível para o direito social e para a justiça social? Sobrará ao menos a memória da utopia e do romantismo?

Vilemar F Costa – Novembro/012

 

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